A dracma perdida


 

Lc 15: 8 – 10 ” Ou  qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligencia até a achar? E, achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo? Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.

 

 Como sempre digo, a palavra do Senhor é Espírito e Vida, e sobre  este texto desejo  compartilhar com os leitores deste blog, a visão  a respeito desta pequena passagem. Há muitos pontos a serem analisados neste três pequenos versículos, vamos iniciar pelo verso oito:

 

“Ou qual é a mulher que…” O verso oito inicia falando de uma mulher, esta mulher  espiritualmente é  a igreja, mas não a igreja perfeita, mas é uma igreja que está a passar por uma dificuldade, pois esta mesma está enfrentando a perda de um bem precioso.

 

A sequência do verso diz: “tendo dez dracmas, se perder uma….” Estas dez dracmas, representavam um adorno utilizado como se fosse uma tiara, nesta, eram ostentados pela mulher dez moedas (dracmas) que significavam muito mais que o valor das dez moedas,  juntas elas significavam um conjunto de  virtudes   para esta mulher. Cada moeda (dracma) representava uma virtude especial.

 

Reparem que, pulando para o início do verso nove, o texto segue dizendo que depois de tê-la achado,  só então, a mulher convida suas amigas para dar uma festa. Por que não as chamou antes a fim de ajudá-la a procurar?

 

A dracma que ela havia perdido representava justamente a virtude da comunhão.

 

Caso fosse outra a virtude  perdida, não teria motivos para procurar sozinha. Hoje muitas igrejas estão com suas dracmas perdidas. Esta da parábola de Jesus, estava a procurar uma única dracma que desfalcava sua tiara, e que com isto, não lhe tornava plena. Era melhor não ter tiara nenhuma,  que ter uma sem as dez dracmas.

 

Após perceber que lhefaltava uma dracma, imediatamente pôs-se a procurar, e isto fez tomando alguns cuidados:

 

Acende a candeia…” A candeia representa  a luz do Espírito Santo, o fato desta mulher acender a candeia, é sinal de que sua candeia não estava acesa. Este acender da candeia, representa uma retomada com os cuidados  das coisas do Senhor. Acender a candeia, significa pedir ao Senhor que ilumine a escuridão em  que nos encontramos, com a luz do Espírito Santo. Quando estamos em trevas, não percebemos que estamos nesta condição. Lembro-me quando era menino e ficava a brincar até tarde na rua, enquanto brincava não percebia que o dia declinava, era tão boa a brincadeira que, não percebia que a luz do dia já faltava, até que de repente surgia minha mãe a porta e gritava para que eu entrasse a fim de jantar, quando isto acontecia e minha atenção se voltava para dentro de casa, percebia que lá dentro ela  já tinham luz das lãmpadas para fazer as rotinas. E só então, que eu me enxergava envolvido na escuridão. Assim é com nossa vida espiritual, não percebemos que estamos caminhando na escuridão, pois as trevas entram lentamente na vida espiritual de cada um de nós, e quando nos damos por achados, estamos envolvidos na escuridão do pecado.

 

A luz da candeia, ou seja , do Espírito  Santo, nos faz perceber a escuridão em que nos encontramos. Portanto, acender a luz da candeia, é o primeiro passo para retornarmos ao Senhor. E isto é feito através de leitura e meditação da palavra.

 

O segundo passo tomado pela mulher desta parábola, foi varrer a  casa. Varrer é uma ação que só depende de nós, a luz do Espírito nos revela onde está a sujeira, mas não a retira. Esta retirada tem de ser feita por cada um de nós, isto implica em renúncia de comodismos, conveniências, prazeres que não edificam, enfim, a luz nos mostra, e o que vemos muitas vezes nos assusta, há alguns que tentam enganar a sí mesmos dizendo que aquilo que estão a ver não  é tão ruin, está ali só para enfeitar, não produz mal nenhum… Eu lhe pergunto, quantas vezes aquele “enfeite” no seu coração, já lhe pôs a perder? isto é muito pessoal. Muito melindroso, mas muito sério.

 

O terceiro passo para achar a dracma perdida, foi ” procurar diligentemente“. Este procurar diligentemente implica em procurar com cuidado, ou seja, por onde procurarmos, seja no nosso coração, na nossa mente devemos ter um cuidado especial, a fim de que, não ocorra que ali onde não dou muita importância, seja exatamente, onde se encontra minha dracma perdida. quantos de nós já não procuraram algum papel importantíssimo e não teve jeito de achar? lá um belo dia , quando já não se precisa mais, o bendito papel aparece? Por que isto aconteceu? por que no momento da procura não foi empenhado diligência (cuidado devido). Nem sempre o que procuramos está a vista dos nossos olhos, muitas vezes está oculto por um outro objeto  tido por insignificante. Espiritualmente não é diferente, muitas vezes atribuimos inofensividades a coisas que possuem grande relevância em nosso viver.

 

Agora, torno a dizer, a dracma que esta mulher perdeu foi realmente a comunhão tanto com Deus, quanto com o restante da igreja. Em alguns momentos somos esta mulher, e precisamos aceitar isto, é melhor assim, do que acharmos que somos infalíveis e exemplares. Depois que a dracma foi achada, aí a mulher chamou as amigas e se alegrou com elas. Isto é a comunhão.

 

Comunhão é manifestação de compartilhamento de experiências em Cristo, de alegrias em Cristo, e  de esperanças em Cristo. Não se isole, Cristo está na comunhão tanto vertical ( com Deus), quanto na comunhão horizontal ( com os irmãos).

 

Se eu pudesse ser igreja sozinho, a palavra me recomendaria ser só, buscar a Cristo só, ser alegre em Cristo só, e a tomar a santa ceia só, enfim… mas não é isto o que vemos. Colossenses 3:16 diz:” Habite ricamente em vós a palavra de Cristo, instruí-vos e aconselhai-vos mutuamnte em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão em vosso coração”.

 

Precisamos uns dos outros, como vimos, no momento da perda a mulher não se pôs a gritar nem espernear, mas antes teve uma postura de restabelecer a condição perdida. Estar em comunhão não é estar lamentando a propria sorte, reclamando da vida. Estar em comunhão é falar de Cristo, respirar Cristo, andar em Cristo, é Cristo quem nos dá comunhão com Deus. Cristo era a dracma perdida desta parábola,  quando a igreja o encontrou novamente, se alegrou pois agora voltara a condição de plenitude.

 

Medite sobre esta dracma, será que não a temos perdido? Hoje é tempo de a reencontrarmos.

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